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Institucional

LabEduc é criado para fortalecer políticas de inclusão, permanência estudantil e justiça social

Laboratório de Apoio Educacional atuará na mediação de adaptações curriculares, acessibilidade e integração entre ensino, pesquisa e extensão

A Faculdade de Educação (FE) da Unicamp amplia sua atuação em defesa da educação pública, democrática e socialmente referenciada com a criação do Laboratório de Apoio Educacional (LabEduc), um espaço estruturado para acolhimento, acompanhamento pedagógico e promoção da acessibilidade e inclusão.

A iniciativa se insere no contexto das políticas institucionais de ações afirmativas consolidadas pela Universidade, como as cotas raciais, as cotas para pessoas com deficiência (PcD) e as cotas para pessoas trans, alinhadas à legislação federal de inclusão e às diretrizes de equidade no ensino superior público. A Unicamp é reconhecida nacionalmente por seu sistema de ingresso com ações afirmativas e por suas políticas de permanência estudantil, coordenadas por instâncias como a Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (DEAPE), Serviço de Apoio Psicológico e Psiquiátrico da Unicamp (SAPPE) e Espaço de Acolhimento.

Nesse cenário, o LabEduc surge como espaço estratégico para mediar a aplicabilidade dessas políticas no cotidiano acadêmico da Faculdade de Educação em diálogo e parceria com a DEAPE, o SAPPE, o Espaço de Acolhimento e a Coordenação de Graduação. Segundo a coordenadora pedagógica do Laboratório, pedagoga Laura Carvalho e Silva, a criação do espaço responde a demandas concretas da comunidade acadêmica. “A Unicamp tem avançado significativamente nas políticas de ações afirmativas e reparação histórica. Com isso, novos desafios se colocam para que essas políticas sejam efetivamente implementadas no cotidiano. O LabEduc surge para mediar essa aplicabilidade, acolhendo estudantes, acompanhando adaptações curriculares e articulando pesquisa, formação e extensão no campo da acessibilidade e da diversidade”, explica.

O laboratório atuará com escuta ativa mediante atendimentos agendados nos períodos diurno e noturno, análise de demandas educacionais, encaminhamentos institucionais e acompanhamento pedagógico processual. Entre suas atribuições estão:

  • Mediação de adequações curriculares e exercícios domiciliares;
  • Articulação com Deape, Serviço de Apoio Psicológico e Psiquiátrico da Unicamp (SAPPE), Centro de Saúde da Comunidade da Unicamp (Cecom), Hospital das Clínicas da Universidade e outros órgãos estratégicos;
  • Apoio à elaboração de materiais didáticos acessíveis (Braille, Libras, audiodescrição, legendagem, comunicação alternativa, entre outros);
  • Aplicação de princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA);
  • Produção de dados e registros para melhoria processual das políticas inclusivas;
  • Integração com grupos de pesquisa e projetos de extensão.

O público-alvo inclui estudantes ingressantes por cotas PcD, raciais e trans, além de docentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos da FE.

Permanência estudantil como compromisso institucional

Dados do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) indicam que, após a implementação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), estudantes egressos de escolas públicas passaram de cerca de 34% para mais de 50% das matrículas nas universidades federais em uma década.
A V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico dos Graduandos das Instituições Federais de Ensino Superior (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior – ANDIFES e Fórum Nacional dos Pró-Reitores de Assuntos Estudantis – FONAPRACE) mostra que mais de 70% dos estudantes têm renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo, evidenciando a ampliação do acesso de grupos historicamente minorizados. No entanto, estudos nacionais e o próprio marco regulatório do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) (Decreto nº 7.234/2010) apontam que a permanência e o sucesso acadêmico dependem da existência de estruturas institucionais de apoio pedagógico e psicossocial capazes de reduzir barreiras estruturais e simbólicas que impactam a trajetória formativa.

A política de permanência estudantil da Unicamp é reconhecida como referência entre as universidades públicas brasileiras. Dessa forma, o LabEduc passa a integrar esse processo, fortalecendo o fluxo entre acolhimento, adaptação curricular e acompanhamento pedagógico.
Carvalho e Silva destaca ainda que o diferencial do laboratório está na proximidade com a realidade cotidiana. “O laboratório é inovador por estar próximo ao concreto, à realidade do dia a dia. É o espaço onde a pessoa pode encontrar escuta. Ao mesmo tempo, não perdemos nossa atividade-fim, que é pesquisa e extensão. Articular permanência estudantil com investigação e formação é um passo importante para consolidar práticas mais democráticas e equitativas”, reflete.

Inserção histórica na trajetória da Faculdade de Educação

Essa concepção inscreve-se na própria tradição acadêmica e política da Faculdade de Educação da Unicamp. Fundada em 1972, é uma das principais referências nacionais na formação de professores, na produção científica em políticas educacionais e na defesa da educação pública. Ao longo de sua história, a FE tem sido espaço de debates estruturantes sobre democratização do acesso à educação, justiça social e direitos humanos.

A criação do LabEduc dialoga diretamente com essa trajetória institucional. Para a Diretora da Faculdade de Educação, Profa. Dra. Débora Jeffrey, o laboratório representa um avanço coerente com a identidade da unidade. “A Faculdade de Educação sempre esteve comprometida com a construção de uma universidade pública democrática e socialmente referenciada. O LabEduc fortalece esse compromisso ao estruturar um espaço permanente de mediação, acompanhamento e produção de conhecimento em acessibilidade, inclusão e diversidade. Não se trata apenas de cumprir legislação, mas de reafirmar nossa posição formadora que contribui para a transformação social”, reitera.

A FE atende estudantes de diferentes cursos da Unicamp, que realizam disciplinas pedagógicas e de licenciatura em suas salas de aula, ampliando o alcance de suas práticas.

Integração entre ensino, pesquisa e extensão

Uma das dimensões centrais do LabEduc é a articulação entre prática institucional e produção acadêmica. O laboratório deverá abrigar projetos de pesquisa aplicados à inclusão e à diversidade, além de fortalecer iniciativas de extensão universitária.
“Queremos que este seja um espaço construído coletivamente, com confiança, transparência e propósito comum. A divulgação é um desafio nesta fase inicial, mas contamos com a participação de toda a comunidade para que o laboratório se torne referência de mediação das políticas inclusivas na FE”, afirma Carvalho e Silva.

A médio e longo prazo, a expectativa é que o laboratório contribua para:

  • Redução da evasão;
  • Ampliação da permanência estudantil;
  • Melhoria da experiência formativa;
  • Fortalecimento do sentimento de pertencimento acadêmico;
  • Produção de conhecimentos aplicados à inclusão e diversidade no ensino superior.

Universidade, equidade e transformação social

Ao estruturar o LabEduc, a Faculdade de Educação reitera o compromisso da Unicamp com a equidade de direitos e o cumprimento da legislação vigente de inclusão, como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e as diretrizes nacionais de ações afirmativas.

Com o LabEduc, a Faculdade de Educação da Unicamp amplia sua atuação histórica na defesa de uma educação pública inclusiva e de diversidade, consolidando-se como espaço de formação, pesquisa e transformação social — agora com um núcleo dedicado a cuidar, de forma sistemática, da trajetória pedagógica e acadêmica de sua comunidade.

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