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Institucional

Três docentes da Faculdade de Educação recebem Prêmios Institucionais 2025 da Unicamp

Helena Sampaio, Pedro da Cunha Pinto Neto e Lilian Cristine Ribeiro Nascimento são reconhecidos por suas contribuições em pesquisa, ensino de graduação e extensão universitária

A cerimônia de entrega dos Prêmios Institucionais 2025 da Unicamp foi realizada na sexta-feira, 12 de dezembro, no Centro de Convenções (CDC), reunindo a comunidade universitária em torno do reconhecimento a trajetórias e iniciativas que expressam o compromisso da Universidade com o ensino, a pesquisa e a extensão. No total, foram distribuídos 74 prêmios: 23 docentes receberam o Prêmio de Reconhecimento Acadêmico Zeferino Vaz; 24, o Prêmio de Reconhecimento Docente pela Dedicação ao Ensino de Graduação; e 22, o Prêmio Proeec de Extensão Universitária, além de outras distinções voltadas à carreira de pesquisador e aos colégios técnicos.

Montagem em formato horizontal que une três fotografias verticalmente, uma ao lado da outra. A primeira é de uma mulher segurando um prêmio, a segunda é de um homem segurando um prêmio e a terceira é de uma mulher segurando um prêmio. Fim da descrição.

Para a Faculdade de Educação (FE), a premiação de três docentes reforça a centralidade do trabalho desenvolvido na unidade em frentes complementares da vida universitária: a produção de conhecimento sobre a educação brasileira, a formação de professoras e professores na graduação e a construção de ações de extensão fundamentadas em parceria efetiva com as escolas públicas. Pela FE, foram homenageados a Profa. Dra. Helena Maria Sant’Ana Sampaio Andery (Prêmio Zeferino Vaz), o Prof. Dr. Pedro da Cunha Pinto Neto (Prêmio de Reconhecimento Docente pela Dedicação ao Ensino de Graduação) e a Profa. Dra. Lilian Cristine Ribeiro Nascimento (Prêmio Proeec de Extensão Universitária).

Ao comentar o sentido institucional da celebração, o reitor Paulo Cesar Montagner sublinhou que a premiação “transcende o mérito individual”, pois simboliza o projeto universitário da Unicamp. Ao destacar o prêmio que homenageia o fundador da Universidade, Montagner observou que Zeferino Vaz compreendeu que a consolidação de uma universidade de pesquisa exige um quadro docente altamente qualificado e comprometido com padrões elevados de investigação e ensino. Esse horizonte aparece, de maneiras distintas, nos três percursos reconhecidos na FE.

Premiada com o “Zeferino Vaz”, Helena Sampaio enfatizou a dimensão simbólica do reconhecimento: “Receber o Prêmio Zeferino Vaz, que traz o nome do fundador da nossa universidade, é uma grande honra para mim. Estou muito feliz por esse reconhecimento, especialmente porque é concedido por nossos pares”. Ao rememorar mais de três décadas de pesquisa sobre o ensino superior, a docente situou as transformações do setor no Brasil — expansão, interiorização e privatização — e ressaltou que, na última década, políticas de ação afirmativa e iniciativas próprias de universidades públicas estaduais, como a Unicamp, vêm alterando o perfil historicamente elitizado das instituições públicas. Para ela, no entanto, democratizar não é apenas ampliar o ingresso: “as políticas de acesso têm que andar juntas com as políticas de permanência e, de modo mais amplo, com políticas de assistência estudantil que vão além do apoio financeiro e material”. Ao investigar como diferentes instituições formulam e implementam políticas de acesso e permanência, Helena aponta a produção de um “círculo virtuoso de registros e reflexão” com estudantes, docentes e equipes técnicas, capaz de contribuir para o aprimoramento institucional no médio e longo prazo.

Vencedor do Prêmio de Reconhecimento Docente pela Dedicação ao Ensino de Graduação, o professor Pedro da Cunha Pinto Neto destacou a docência como trabalho orientado ao futuro: “Formamos profissionais que atuarão nas próximas três ou quatro décadas, educando as novas gerações em uma sociedade que está sempre em transição”. Em sua trajetória na FE e nas licenciaturas, ele sublinhou a importância de uma formação humanística que amplie o repertório de leitura e de posicionamento dos sujeitos diante da realidade, compreendendo a educação como dimensão decisiva no enfrentamento de desigualdades e na construção de condições para uma vida digna. Ao comentar o impacto buscado na formação de futuros professores de Ciências e Química, Pedro enfatizou a articulação entre múltiplos saberes e uma cultura geral que ajude a formar sujeitos críticos e comprometidos com o bem comum: “Educar é compartilhar e trocar saberes”. A motivação para permanecer na graduação, mesmo após anos em coordenações e projetos institucionais, aparece na experiência de renovação constante: ele aponta que a diversidade estudantil — ampliada pelas políticas de inclusão — reconfigura perguntas, desafios e possibilidades, mantendo vivo o sentido do trabalho formativo.

Já o Prêmio Proeec de Extensão Universitária conferido à professora Lilian Cristine Ribeiro Nascimento reconhece um percurso de onze anos ancorado em parceria contínua com a rede pública municipal e voltado à educação de pessoas surdas. Para Lilian, a premiação formaliza um trabalho construído “na parceria efetiva entre a universidade e a rede pública de ensino”, iniciado a partir de uma demanda concreta do CEMEJA Sérgio Rossini, escola municipal que se destaca como polo bilíngue para surdos. A iniciativa se consolidou e agregou outras instituições reconhecidas como polos bilíngues, como a EMEFEI Júlio de Mesquita e o CEI Manoel Afonso Ferreira, envolvendo mais de quarenta estudantes da Unicamp na construção de objetos digitais de aprendizagem, jogos interativos e portfólios, em colaboração direta com docentes das escolas. Lilian destaca que a premiação alcança, de modo especial, os universitários e professores das escolas parceiras, e observa impactos no engajamento dos estudantes e na formação inicial dos graduandos — tanto no uso pedagógico de tecnologias quanto na aprendizagem de Libras — com efeitos de longo prazo, inclusive na escolha de trajetórias profissionais e acadêmicas na área. Ao final, ela chama a atenção para os desafios institucionais da inclusão de estudantes surdos na graduação, defendendo que a ampliação do acesso deve vir acompanhada de adaptações estruturais (como dimensionamento de intérpretes) e de revisão de metodologias, em um campus onde a Libras precisa ser efetivamente acolhida como língua veicular.

Ao reunir, em uma mesma cerimônia, a celebração da pesquisa, da docência e da extensão, os Prêmios Institucionais 2025 reafirmam o que Montagner definiu como “um grande complexo de trabalho universitário”, no qual práticas pedagógicas, produção de conhecimento e compromisso social se fortalecem mutuamente. Para a FE, a presença de três docentes entre os vencedores evidencia a diversidade de frentes em que a Faculdade atua — formando educadores, produzindo reflexão crítica sobre o ensino superior e construindo pontes consistentes entre a universidade e a comunidade.

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