Elisabete Figueroa dos Santos: Possui graduação (2008), mestrado (2011) e doutorado (2015) em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. Atualmente, é chefe e professora do Departamento de Psicologia Educacional (DEPE) e docente do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE/UNICAMP). É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas “Diferenças e Subjetividades em Educação” da Faculdade de Educação/UNICAMP e coordenadora do Grupo de Estudos sobre o Pensamento Negro em Psicologia e Educação. Integra o INDDHU (Grupo de Pesquisa Infâncias, Diferenças e Direitos Humanos/UNICAMP). É coordenadora associada do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB/UNICAMP). É presidenta da Câmara de Averiguação da UNICAMP (CAVU). É membro da Comissão Assessora de Relações Raciais (CADER/UNICAMP). É membro do GT “Psicologia e Relações Étnico-raciais” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Integra a “Red Interuniversitaria Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina (Red ESIAL)”, na qual representa o NEAB e a UNICAMP. Tem experiência na área de Psicologia Social e Psicologia da Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: relações étnico-raciais, relações de gênero, movimentos de resistência, epistemicídio e africanidades. É mãe solo do Malick (2008) e da Naomi (2018).
TEMA DE JULHO: Luta Estudantil e Ações Afirmativas: Especial 10 anos da Greve de 2016 na Unicamp, história das cotas, inclusão de populações vulneráveis, ações afirmativas e movimentos estudantis.
Coordenação de Pesquisa e Divulgação Científica (CPDC). Qual é o título ou tema da sua pesquisa?
Elisabete. O título da pesquisa sobre a qual eu vou falar hoje, é “Ciências Africanas para Descolonização do Saber e Embates ao Epistemicídio”.
Essa pesquisa, ela foi conduzida com o fomento do PIND, que é o Programa Incentivo a Novos Docentes, nos três últimos anos, de 2023 a 2025. Ela foi integrada por três frentes, que era uma frente de coleta de dados em toda a universidade, nos cursos de graduação da universidade, uma frente de ensino, então eu seria algumas ações de eh promoção de saberes de matriz africana em algumas disciplinas que eu lecionava e uma frente de extensão que era buscar aproximar os estudantes e as estudantes que faziam parte dessas disciplinas dos territórios negros da cidade de Campinas.
Então, ao passo em que eu busquei identificar, que saberes de matriz africana e sobre relações étnocraciais existia nos currículos e nas práticas dos diferentes cursos de graduação na Unicamp, eu procurei também promover esses saberes nos contextos em que eu me inseria como docente, como pesquisadora.
CPDC. Você possui uma pesquisa individual ou em equipe? Quem participa?
Elisabete. Essa foi uma pesquisa, cujo projeto inicialmente foi submetido por mim ao Firex, esse programa do FireEx, mas posteriormente se integraram à equipe diversos estudantes, bolsistas BAS e também orientandos e orientandas de pós-graduação.
Então, a equipe, no final das contas, foi integrada pela mestranda Ana Carolina Silva dos Santos, pela mestranda Jaciara Cristina da Silva, pela na época doutoranda Mais Helena Ribeiro, hoje Mais é professora da Unilab e minha parceira de pesquisa pela doutoranda Constanza Lobos, que foi ela veio fazer um intercâmbio na Unicamp e acabou integrando também a equipe da pesquisa pela doutoranda Elda Moreira, o doutorando Airton Pereira Júnior, e os estudantes bolsistas BAS, a Natália Vitória da Silva, o Pátima Vilanulo Costa, Abumbi Bronx e pela assistente técnica do NEAB que é Gislane Alíbio.
Então, a equipe foi bastante grande no fim das contas.
CPDC. Quando a pesquisa foi iniciada e qual a previsão de término quando foi finalizada?
Elisabete. A pesquisa foi iniciada no segundo semestre de 2023 e ela se encerrou no segundo semestre de 2025.
CPDC. A pesquisa tem algum financiamento?
Elisabete. Foi, ela foi financiada pelo Firex, que é o fundo de apoio, da Universidade, Fundo de Apoio à Pesquisa e extensão, acho, da universidade, pelo programa PIND, programa de incentivo a novos docentes.
CPDC. Essa pesquisa está vinculada a algum programa de pós-graduação ou grupo de pesquisa?
Elisabete. Ela esteve vinculada ao grupo do qual eu fazia parte na época, que foi o DIS, o grupo Diferenças e Subjetividades em Educação. E, portanto, também esteve vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, inclusive porque boa parte da minha equipe de pesquisa era de mestrandos e doutorandos deste programa.
CPDC. Qual foi o objetivo central da investigação?
Elisabete. O objetivo era identificar que conteúdos de matriz africana e afro-brasileira existiam e eram promovidos ou são promovidos nos diferentes cursos de graduação da Universidade Estadual de Campinas.
CPDC. Que metodologia foi utilizada?
Elisabete. A gente fez inicialmente um formulário digital. A intenção era disparar esse formulário digital via e-mail institucional para todos os estudantes ingressantes e concluintes no ano de 2023 e 2024. A gente tentou essa via, mas a taxa de retorno foi baixíssima, baixíssima. A gente tentou via DAC, a DAC enviou esses e-mails umas três vezes, três, quatro vezes para pro conjunto de estudantes e a taxa de retorno foi muito baixa. E aí eu acho que a gente tem algumas hipóteses explicativas disso. Acho que muitas são as pesquisas que têm acontecido pela via digital, então concorre com muitas outras pesquisas, concorre com as agendas dos estudantes e das estudantes. E eu acho que a temática também é em alguma medida um tabu. Então, tendo identificado que a taxa de retorno era muito baixa, a gente partiu para uma aplicação presencial, em todos os cursos de graduação.
A ideia inicial era que fossem todos os cursos de graduação de todas as áreas do conhecimento na Unicamp. Então, a gente inicialmente fazia contato com os coordenadores de curso para pedir autorização para fazer a aplicação desses formulários presencialmente nas turmas de ingressantes e concluintes.
E uma vez que coordenadores e coordenadoras autorizassem a aplicação, a gente pedia a indicação de professores ou disciplinas, turmas e horários em que a gente pudesse fazer isso. E foi aí que a equipe de pesquisa foi aumentando, porque a gente partiu para uma aplicação presencial dessa pesquisa.
Eu disse que inicialmente a gente tinha essa intenção porque no fim das contas não foram todos os cursos que se que abriram as portas para aplicação da pesquisa.Eu acho que isso também é um dado assim, os cursos que mais foram eh que mais colaboraram com a aplicação da pesquisa, em que a pesquisa mais aconteceu foram os cursos da área de humanidades e das ciências exatas, os cursos da área da saúde foi muito difícil de acessar, ou os coordenadores não respondiam ou respondiam, mas iam postergando a possibilidade de aplicação ou colocavam muitas barreiras burocráticas para que isso acontecesse. E tem um caso assim que foi um caso muito interessante de um desses cursos da área da saúde, em que o coordenador colocou várias etapas assim burocráticas a serem cumpridas para que a gente conseguisse fazer aplicação. Quando a gente conseguiu vencer todas essas etapas, ele autorizou, mas ele não nos indicou nenhum docente, nenhuma disciplina em que a gente pudesse fazer isso, e ele recomendou que a gente fizesse isso num espaço aberto, debaixo de uma árvore e convidando os estudantes e as estudantes para estarem lá e responderem o formulário digital, assim, ou seja, inviabilizou completamente. Se o convite virtual para responder não funcionava, imagina se a gente convidar estudantes para se juntarem à gente debaixo de uma árvore e preencher um formulário digital. Isso não vai acontecer!
Então, esse é um dos casos mais eh simbólicos que a gente teve de uma não negativa inicial, mas no fim das contas uma negativa.
CPDC. Quando surgiu a necessidade de investigar esse tema?
Elisabete. A necessidade surge de uma literatura que vai falar justamente sobre a dimensão do epistemicídio. ou seja, o sistemático não tratamento de temáticas de conhecimentos de saberes e tecnologias de matriz africana e afro-brasileira nas diferentes instâncias de produção do conhecimento. sobretudo aquelas que são eh consideradas eh legítimas ou legitimadas, que são a escola e a universidade, por exemplo.
Então, já existe uma vasta literatura que tá denunciando a ausência do tratamento nas diferentes áreas do conhecimento desses saberes e desses conhecimentos. Então, tendo essa constatação, a intenção era saber justamente na Unicamp existem avanços, né, ou ainda ressoa essa esse histórico de epistemicídio. Se existem avanços, em que áreas isso está acontecendo, de que formas.
Então, foi a partir daí que a gente resolveu executar essa pesquisa.
CPDC. Como essa pesquisa dialoga com os desafios atuais da educação no Brasil?
Elisabete. Acho que a gente tá num momento, passados mais de 20 anos de estabelecimento da Lei 10.639, que propõe o tratamento de histórias e culturas afro-brasileiras e africanas na educação básica e propõe também, a partir do do parecer que é emitido sobre essa lei, a necessidade de corresponsabilização do ensino superior em relação à efetivação dessa lei na educação básica. Ou seja, se a gente não tiver formando pessoas docentes dentro da universidade que saibam sobre esses conhecimentos, essas tecnologias, essas temáticas para tratar disso na educação básica, a lei não se efetiva lá. Então, a gente tem mais de 20 anos, são 23 anos dessa lei, que ainda está para ser plenamente efetivada.
Além disso, a gente tem também mais de 20 anos de estabelecimento das cotas no ensino superior, que tem então, década após década, alterado o perfil estudantil presente na universidade e tensionado essa universidade para reconhecer que não são só corpos. Não é apenas uma mudança estética da universidade, mas é uma mudança estrutural e que, portanto, reivindica outras formas de conhecimento dentro desse contexto.
Então, no fim das contas, acho que esses dois contextos, tanto de estabelecimento da lei, uma lei que está ainda por ser plenamente efetivada, quanto a partir do advento das cotas, existe também um tensionamento que vai demandar da educação que a gente discuta, que a gente proponha, que a gente não só faça esse diagnóstico de que maneira eh esses conhecimentos estão sendo garantidos, ou não, nos currículos, nas práticas, na efetivação e legitimação de saberes dentro desses campos, mas também que a gente, a partir disso, promova essas formas de conhecimento.
Então, penso que é um momento importante e estratégico pra gente, pautar isso e fazer essa promoção de conhecimentos no campo da educação.
CPDC. Que autores ou teorias foram mais influentes na construção do seu trabalho?
Elisabete. Eu parti bastante da do referencial da Sueli Carneiro, do Renato Nogueira, que vão falar sobre a dimensão do epistemicídio. Mas também, Renato, além de fazer a denúncia do epistemicídio, ele vai também cunhar uma noção, ou propor uma perspectiva teórica que ele chama de afroperspectiva, que é uma lente teórica, que vai justamente buscar não rechaçar os clássicos europeus, ele traz os clássicos europeus para conversa também, mas ele valoriza saberes contracoloniais, quilombolas, negros, africanos, indígenas.
Então ele traz para dentro da afroperspectiva essa confluência de saberes. Então isso também, essa lente teórica de alguma maneira inspirou as leituras, as preposições, as teorizações que a gente fez dentro da pesquisa e também a perspectiva da afrocentricidade, sobretudo as discussões de Moléf Katechante, que é um teórico que vai falar sobre uma dimensão central dessa discussão, que é a noção de agência da pessoa africana ou agência da pessoa negra. Ele vai dizer que eh quando nós estamos afastados do nosso horizonte simbólico original ou um horizonte simbólico africano que nos reconheça como sujeitos e nos valide como sujeitos no mundo, a gente tá em de agência. Então, fazer o resgate desse horizonte simbólico e fortalecê-lo, promovê-lo, é possibilitar que os sujeitos negros africanos na diáspora estejam em agência.
Então, acho que são alguns conceitos, algumas noções que são trazidos para dentro dessa pesquisa.
CPDC. Quais foram os principais achados até agora?
Elisabete. Alguns achados interessantes, como eu já tinha mencionado anteriormente, diz respeito justamente a uma reticência de diferentes cursos, de diferentes áreas do conhecimento, mas sobretudo da área da saúde e nos receber, não foram todos os cursos, a enfermagem, por exemplo, foi um desses cursos que nos recebeu, nos auxiliou em todo o processo de aplicação dos formulários digitais que contribuiram bastante com a pesquisa. Mas essa não foi a norma. De maneira geral, a gente teve muita dificuldade de acessar os cursos da área da saúde. Quem mais respondeu os nossos formulários foram estudantes brancos, que se autoidentificavam como brancos e brancas e a maior parte da área das ciências exatas e tecnológicas, o que é bastante interessante também.
É, a gente tem uma série de achados e discussões numéricas, mas eu queria focar mais nas categorias temáticas que a gente identificou. As categorias temáticas que apareceram, que emergiram como dimensões centrais assim daquilo que os estudantes estavam propondo. E essas categorias elas surgiram. Porque a gente aplicava esse formulário digital que ele tinha algumas a maior parte das perguntas fechadas. Acho que era uma pergunta aberta que era se existia algo mais que a pessoa quisesse dizer. E ali as pessoas disseram, elas falaram muito, assim, a maior parte das pessoas participantes da pesquisa. E aí essa pergunta aberta a gente categorizou.
Então, as categorias que a gente encontrou foram contestação de algum ponto da pesquisa. Então, tinham estudantes, por exemplo, que contestavam a necessidade ou a validade de uma pesquisa dessa natureza no século XXI, que vai discutir racismo, que vai discutir saberes de matriz africana. Alguns desses estudantes diziam, inclusive que não viam a necessidade de uma pesquisa dessa natureza e tampouco do tratamento de conhecimentos de matriz africana nas suas respectivas áreas do conhecimento, uma vez que as pessoas negras estavam chegando muito recentemente nessas respectivas áreas. Então, elas não tinham ainda contribuições consistentes para serem levadas para curso de graduação, por exemplo. Me lembro de um estudante da matemática, por exemplo, que fala isso, que na matemática pessoas negras são muito recentes assim. Então, quais são as contribuições de pessoas negras ou africanas para essa área do conhecimento? E aí é interessante assim porque isso explicita, um sistemático apagamento do fato de que a matemática surge na África, de que os primeiros instrumentos matemáticos foram encontrados em África, de que muitos avanços matemáticos foram feitos pela civilização egípcia, por exemplo, não apenas porque existiram outras grandes civilizações e outros grandes povos sobretudo na África subsaariana, que não são tão falados quanto a civilização egípcia, mas que foram tão grandiosos e importantes quanto a civilização egípcia, que deram contribuições inclusive para a área das ciências exatas.
Então, esse não só esse estudante, mas os estudantes e as estudantes desconhecerem esse tipo de informação, fala sobre o epistemicídio.
Uma outra categoria que apareceu foi a crítica ao epistemicídio. Então, tinha muitos estudantes e muitas estudantes que falavam sobre não ver nos seus respectivos cursos sobre temáticas relacionadas à raça ou a conhecimentos de matriz africana. Alguns desses estudantes, inclusive, diziam que porque tinha uma pergunta que eu fazia que era uma pergunta fechada, que era na sua respectiva área do conhecimento, você aprende sobre saberes de matriz africana? E aí tinha um sim e não. Alguns estudantes colocaram sim, mas aí na pergunta aberta eles foram explicar: “Olha, eu vi, mas eu vi um slide, ou eu vi em uma aula, ou eu vi em uma disciplina que era uma disciplina eletiva, então não dá para dizer que o curso traz o debate.” Era uma coisa muito pontual assim. E alguns estudantes diziam inclusive: “Olha, quando aparece, aparece numa perspectiva de, pera aí, eu já falei de todos os clássicos europeus, agora deixa mostrar que existe esse conhecimentozinho aqui também, ou como uma forma de dizer, não, pera aí, eu sou uma pessoa decolonial e antirracista ainda, então deixa eu trazer um slide que fale sobre a questão racial ou a questão a partir de uma leitura eh africana.
Mas isso não traduz um tratamento sistemático desses saberes, dentro do campo de conhecimento em que se inserem esses cursos. Então, também fala sobre o epistemicídio.
A outra categoria eram reivindicações de formações sobre África e sobre antiracismo. Então, estudantes que diziam: “Olha, não existe, não temos professores negros, não tenho tratamento sobre questões raciais e sobre africanidades, mas a gente precisa ter nos diferentes níveis. Os professores inclusive precisam ser formados para terem condição de trazer esse conhecimento pra gente.
Existia também uma categoria que a gente chamou de manifestação ou celebração de Áfricas, que eram pessoas demarcando a grandiosidade do dos saberes africanos e das Áfricas e a necessidade de abordar isso nos currículos, a outra categoria foi reconhecimento de disciplinas ou cursos.
Então, eram estudantes que diziam: “Olha, na minha área do conhecimento, existe uma disciplina que trata, que traz as noções, que fala de forma aprofundada pela professora tal ou pelo professor tal.” Então, era o reconhecimento de algumas dessas iniciativas que foram importantes para acessarem esses conhecimentos.
E a última categoria que a gente identificou era a parabenização da pesquisa. Então, diversos estudantes falavam sobre a importância da pesquisa, ao contrário da primeira categoria, que era por existe a pesquisa, a última era que bom que a pesquisa existe. Eu parei para pensar agora e percebi, por exemplo, que no meu curso não existe nenhum professor negro, antes de eu responder a pesquisa, não tinha parado para pensar sobre que no meu curso não existe um professor negro. Tem um estudante da computação que fala: “É assustador me dar conta de que no meu curso existe zero professor negro, não existe”. E aí eu acho que a pesquisa também contribuiu para as pessoas pararem para pensar e fazer aquilo que tem sido chamado de teste do pescoço, que elas olharem em volta para perceber como esse espaço é ocupado e não só o espaço físico, geográfico, mas também o espaço do conhecimento.
Então acho que isso é um pouco da uma síntese assim dos achados da pesquisa.
CPDC. A pesquisa já gerou alguma publicação ou apresentação em eventos? Se sim, onde?
Elisabete. A gente submeteu três artigos e a gente organizou um livro, né, que tá em análise. A gente tá esperando o retorno dessa possibilidade de publicação no formato de livro.
E a gente apresentou a pesquisa em quatro eventos científicos. Um deles foi o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros e Negras, que aconteceu no Belém do Pará em 2024 e a gente contou com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Educação para fazer essa participação. A gente apresentou também no Combate, que é a conferência internacional sobre arte, ativismo e cidadania que aconteceu em Lisboa. E a gente também foi com fomento do programa de pós-graduação. A gente apresentou também no Congresso Internacional de Estudos Africanos em 2025, com eh auxílio do programa de pós-graduação também e na conferência anual da American Association of Blacks in Higger Education em 2025 também.
Então esse é um pouco do que a gente já fez discutindo a pesquisa.
CPDC. Quais são os próximos passos após a conclusão? Há desdobramentos previstos?
Elisabete. Sim, a partir dessas constatações do dessa pesquisa, eu tô propondo um novo projeto que eu devo submeter agora à FAPESP, em que a gente quer justamente identificar pensando nos estudantes negros que estão na universidade. De que formas esses estudantes terem eh participação em manifestações de matriz africana, de coletivos negros e de territórios negros. Serem pertencentes a territórios negros? De que forma isso impacta o conhecimento que eles estão produzindo dentro da universidade?
Então isso é o objetivo geral do trabalho que eu devo submeter agora e é um desdobramento dos achados da pesquisa anterior.
Uma das dimensões que eu não mencionei, mas muitos estudantes falavam sobre acessarem os conhecimentos de matriz africana e sobre relações raciais por meio de outros estudantes ou por meio da participação no movimento estudantil e nos coletivos negros. Então eu consegui perceber que os coletivos negros tinham uma função importante desse movimento dos saberes, a partir de referências africanas e afro-brasileiras, assim.
Então eu quero desdobrar isso nessa nova pesquisa, entendendo exatamente como que então a atuação nesses coletivos, nessas manifestações culturais e o pertencimento aos territórios negros impacta a produção de conhecimento que tá acontecendo na universidade nesse advento pós-ação formativa.
Elisabete: Eu queria dizer que essa foi uma pesquisa executada com o financiamento público e que estão implicados nela algumas dimensões que são também de interesse público. A gente fazer a denúncia do epistemicídio dentro da universidade é alguma coisa que tem uma relevância social e científica importante. Então, a gente espera que esses dados e essas discussões elas alcancem não só as diferentes áreas de conhecimento dentro da própria universidade, mas também outras universidades, porque a gente entende que essa não é uma realidade só da Universidade Estadual de Campinas. está presente em como o ensino superior se organiza essa estrutura.
Então, acho que isso é uma pesquisa de interesse público.
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FALANDO DE PESQUISA!
Tema: Luta Estudantil e Ações Afirmativas
Entrevista realizada em: 07/05/2026
Publicado em: 23/07/2026
Pesquisador Entrevistado: Elisabete Figueroa dos Santos
Entrevistador: Julia Santiago Carrion
Roteiro: Erika Blaudt e Lucas Ferreira
Produção executiva: Lucas Ferreira, Cláudia Reis e Julia Santiago Carrion
Direção: Nora Rut Krawczyk
Realização: CPDC – FE – Unicamp
