Foi com 42 anos que conheci a famosa UNICAMP, sou de Piracicaba então, a Unicamp aqui é sinônimo de garantia de um sorriso perfeito, afinal os tratamentos odontológicos são muito divulgados… mas, meu sonho sempre foi conhecer a Faculdade de Educação até porque, como professora, não preciso nem explicar os sentidos.
Bem, falando em sentir o primeiro contato com essa universidade, foi no grupo de estudos do Gepec (Vinculado à Linha 7 do Programa de Pós-Graduação PPGE da Faculdade de Educação-UNICAMP, é um grupo que, partindo do princípio de que a pesquisa, a formação e o trabalho são indissociáveis, debruça-se sobre a formação inicial e continuada de professores e profissionais da educação e busca compreender os saberes e práticas cotidianas mobilizados dentro da complexidade da organização do trabalho educativo e pedagógico. A experiência, a reflexividade e a responsividade no/do/com o trabalho cotidiano escolar são marcas impressas nos trabalhos desenvolvidos, os quais, justamente pela indissociabilidade que os fundamentam, têm ênfase na pesquisa narrativa e (auto)biográfica. Com a participação de estudantes de graduação, pós-graduação, professores da educação básica e da universidade, o GEPEC, investiga a formação docente e o trabalho educativo sob a perspectiva da pesquisa narrativa e (auto)biográfica, integrando universidade e escola básica em ações de pesquisa, extensão e coletivos de orientação) para participar do Grupad (coletivo colaborativo de profissionais da educação focado na formação continuada sobre alfabetização, leitura e escrita, visando aprofundar estudos e sistematizar saberes docentes). Na verdade duas amigas do trabalho já iam para o encontro, eu me convidei, cheguei!
Foi tão especial, um sentimento que consigo descrever como se fosse aquela sensação de sentar no balanço e a barriga gelar com o subir e descer, sentir o vento de frente e nas costas, as pernas amolecerem e o corpo arrepiar. Acho que foi por sorte, que as mãos que me balançavam eram mãos que me ajudaram a alcançar o pulo no ar quando atingimos a maior altura no balançar e voando alcancei o mestrado!
Já estou chegando nos 30 meses previstos para a conclusão do curso, mas, o medo da defesa é menor do que a falta que essa Universidade vai me fazer … não foi fácil todo os quilômetros percorridos de Piracicaba até aqui, por um ano quatro vezes na semana. No entanto, o impulso da família e a companheira e amiga de viagem foram me ajudando. No caminho sempre tínhamos a sensação de não reconhecer o percurso, a sensação era de que nunca havíamos passado naquele caminho, mesmo o Waze mostrando a mesma rota em todo esse período! Agora eu penso que nunca achávamos que era o mesmo percurso porque íamos de um jeito e voltávamos de outro, até o olhar para o caminho mudava!
Tem horas que imagino: muita gente sente isso! A carteirinha que não vai ter mais valor, o drive que será apagado, os momentos irrepetíveis com os amigos das turmas, acho que é pura melancolia, ou de verdade faz parte das saudades que vou carregar na vida!
Do raso, do fundo e do profundo do meu coração, eu quero guardar cada processo a(u)toformativo que acessei foi pelas mãos de pessoas que lutam para que a indiferença nunca chegue para cada um e cada uma de nós, esse trecho ilustra exatamente o processo do meu mestrado nesta universidade “somente uma atenção amorosamente interessada, pode desenvolver uma força muito intensa para abraçar e manter a diversidade concreta do existir, sem empobrecê-lo e sem esquematiza-lo.” (Bakhtin, 2017, p.128)
Meu balanço está quase parando pra eu descer neste ciclo, por isso, eu quis deixar registrado por meio desse blog, que eu só aprendi a balançar por receber “atenção amorosamente interessada”, afinal quem passou por mim garantiu que eu chegasse até aqui!
Agradeço a todos do GEPEC que fizeram meu retorno a vida acadêmica ser como a minha brincadeira de infância favorita, balançar e pular!
Sigo, mas, um dia pretendo receber novamente as mãos generosas, gentis e amorosas de cada um de vocês! Um especial afeto ao quarteto, a minha orientadora humanamente amorosa responsável pelo GRUBAKH (grupo de pesquisas e estudos bakhtinianos em educação) e minha família que me dá impulso pra eu sempre brincar!
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Referência:
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. Para uma filosofia do Ato Responsável. [Tradução aos cuidados de Valdemir Miotello & Carlos Alberto Faraco]. São Carlos: Pedro & João Editores, 2017. 160 p.
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Daniela Farto Brugnerotto de Aguiar, Professora de Educação Infantil na Rede Municipal de Piracicaba, atuando como Professora de Formação Continuada na SME. Mestranda do Programa de Mestrado Profissional em Educação Escolar pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Membro do Grupo de Estudos Bakhtinianos – Grubakh – GEPEC.

